QUANDO MORRE UM POETA...
 
O mar se cala para que todos possam
Ouvir o silêncio de sua consternação profunda;
O vento pára de soprar para que a natureza
Sinta a perda de um réu em comarca imunda;
O sol reina mais forte para que a pátria beba
Uma lágrima que cai e um jazigo que afunda;
 
O dia se torna mais breve para ceder lugar
A uma longa noite de intenso desabrigo;
A aurora fica até mais tarde para reverenciar
Seu admirador mais assíduo e amigo;
Os pássaros cantam hinos de remissão
Ao seu lúdico intérprete por apelido;
 
As nuvens reproduzem seus versos no horizonte
Em luto a seu mais digno e eminente morador;
A chuva molha o chão para exalar a fragrância
Da fantasia humana na voz de um trovador;
As árvores deixam cair folhas secas para ornar
Uma vida imperecível, vivida com insigne ardor;
 
As pessoas imitam a natureza para não deixarem
Transluzir suas carências de concepção
Com aquele que traduziu vidas ao avesso
E transpôs intimidades sem agressão;
Os sinos alçam badaladas como que poesia
Numa orquestra viva a um bardo irmão;
 
A lua chora de alegria por ter mais perto de si
Aquele que, em cantos e encantos a encantou;
As estrelas brilham com maior intensidade
Na face daquele que, em rimas, as contou;
O céu emoldura a figura de um homem
Que, em biografia, também muito amou;
 
O horizonte entristece e se tece em escuridão
Por está órfão de seu compositor profeta;
A poesia não declama nada em consternação
E reverência àquele que apenas a completa;
Os versos ficam brancos e raros em razão
De terem sido escolhidos de forma tão seleta
Para homenagear quando morre um poeta.
 
Adão-Nilton Aquino Bezerra

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